Tomás da Fonseca

Poeta, ficcionista, historiógrafo, jornalista, professor e militante republicano, José Tomás da Fonseca colaborou, com o advento da República, na reforma do ensino primário normal e organizou e animou diversas associações de carácter cultural. Foi vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, director da Escola Normal de Lisboa e de Coimbra – dos quais foi afastado pelo sidonismo e pelo Estado Novo – e um dos fundadores da Universidade Livre de Coimbra. Anti-clerical convicto e assumido, publicou vários livros críticos sobre a Igreja e a religião. Ficou famosa a sua polémica com João de Deus Ramos sobre o ensino religioso nas escolas. Natural de Laceiras, Tomás da Fonseca foi uma personalidade de destaque no meio intelectual e político da sua época. Espírito brilhante e tribuno exímio, desde muito cedo se evidenciou na defesa das ideias liberais e depois do regime republicano. Firme e intransigente na defesa das suas ideias, sempre orientado na procura da verdade e da justiça e dono de uma coragem moral que desafiou todas as vicissitudes, foi um lutador pela integração social do Homem e defensor intransigente dos direitos daqueles que trabalham duramente.Denunciou as condições prisionais do regime, o que lhe valeu a prisão em 8 de Maio de 1947, por ter protestado contra a existência do Campo de Concentração do Tarrafal, nas ilhas de Cabo Verde. Tal era a sua fama de opositor ao regime que até no dia do seu funeral, realizado para o cemitério de Mortágua, a PIDE enviou agentes com a missão de anotar (discretamente) as pessoas e discursos de homenagem dos que ali compareceram ao último adeus. A título póstumo foi-lhe concedida a Ordem da Liberdade (1984).