Obras em destaque | Janeiro-Junho 2021 | Novidades e reedições

 

Em 2021, a nossa equipa confinada e de álcool-gel em riste promete continuar a transmitir-vos a sua contagiante paixão pelos textos subversivos, a empurrar as palavras contra a ordem dominante e a dar aos leitores obras que contribuem para a compreensão dos acontecimentos que mudam a sociedade e as nossas vidas.

 

Divulgamos aqui a nossa colheita semestral com notas de insolência e aroma a subversão. Para degustar ao longo de 365 dias.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

NOVIDADES EM DESTAQUE

FICÇÃO 

 

18 de Janeiro

A PRAGA ESCARLATE | Jack London

tradução Ana Barradas | 112 pp | 13 €

2013. Uma pandemia varre o planeta e faz ruir a civilização. Os Estados modernos colapsam, e o mundo retrocede à barbárie: o medo reina, as pessoas isolam-se, hordas saqueiam lojas, e muitos fogem em massa das cidades. Todos estes acontecimentos são relatados em 2073 por James Smith, um dos poucos sobreviventes em São Francisco, que transmite aos netos as suas lembranças de um mundo já distante. Um texto profético sobre a vulnerabilidade da nossa civilização, publicado em 1912, e que ecoa sonoramente no presente. 

 

23 de Abril

DOS NOSSOS IRMÃOS FERIDOS | Joseph Andras

tradução Luís Leitão 

«Vibrantemente poético e sombrio.» (Le Monde)

«Uma obra-prima.» (La Croix)

Prémio Goncourt 2016 – Primeiro Romance

Obra premiada em 2016 com o Prémio Goncourt, recusado pelo autor – pois, segundo o próprio, a sua «concepção de literatura não é compatível com a ideia de competição, e a concorrência e a rivalidade são alheias à escrita e à criação», e porque o laureado sempre preferiu o anonimato, escudando-se num pseudónimo. Dos Nossos Irmãos Feridos é um magistral romance de estreia que causou sensação em França, e um livro de tirar o fôlego sobre o caso verídico de Fernand Iveton, pied-noir executado durante a Guerra da Argélia, em Novembro de 1956: um castigo que se pretendia exemplar e um aviso a todos os europeus que tomassem o partido dos colonizados e do anticolonialismo. Uma reflexão radical sobre as injustiças dos conflitos, num estilo inesquecível.

 

10 de Maio

A FÚRIA E OUTROS CONTOS | Silvina Ocampo

prefácio Jorge Luis Borges | tradução Guilherme Pires

«Não conheço outro escritor que capture melhor a magia dos rituais quotidianos, o rosto proibido ou oculto que os nossos espelhos não nos mostram.» Italo Calvino

Um dos tesouros mais bem guardados da literatura latino-americana do século XX, Silvina Ocampo (1903-1993), companheira de Adolfo Bioy Casares, cúmplice intelectual de Jorge Luis Borges e admirada por autores como Roberto Bolaño e Alejandra Pizarnik, chega finalmente a solo a Portugal. A Fúria e Outros Contos (1959), considerado o seu livro mais ocampiano, reúne trinta e quatro contos, entre os quais «A Casa de Açúcar», o preferido de Julio Cortázar, «A Paciente e o Médico» e «As Fotografias». Inclui um texto introdutório de Jorge Luis Borges.

 

14 de Junho

COMBOIOS RIGOROSAMENTE VIGIADOS | Bohumil Hrabal

tradução do checo Anna Nemcova de Almeida

Depois de Uma Solidão Demasiado Ruidosa, a Antígona prossegue a publicação das obras de Bohumil Hrabal, em tradução directa do checo, agora com Comboios Rigorosamente Vigiados (1965), um clássico da literatura do pós-guerra, uma pequena obra-prima de humor, humanidade e heroísmo. Adaptada ao cinema por Jiri Menzel em 1968 (Óscar de Melhor Filme Estrangeiro), acompanhamos nesta obra Milos Hrma, jovem aprendiz numa estação ferroviária numa Checoslováquia ocupada pelos nazis.

 

PÃO SECO | Muhammad Chukri

tradução do árabe e posfácio Hugo Maia

«Um verdadeiro documento do desespero humano, com um impacto avassalador.» (Tennessee Williams)

«Um autor da estirpe dos malditos, com uma obra breve, intensa, repleta de amor pela humanidade e de ódio às injustiças.» (El País)

Obra de culto, proibida até recentemente nos países árabes, por tocar em tabus da sociedade magrebina, Pão Seco é a estreia de Muhammad Chukri (1935-2003) em Portugal. Quando a fome grassa no Rif, uma família parte para Tânger em buscar de uma vida melhor. Nas noites passadas ao relento, nos becos da cidade, o pequeno Muhammad, orgulhoso e insolente, descobre a injustiça e a compaixão, o consolo das drogas, do sexo e do álcool. E é na prisão que um dos companheiros de cativeiro ensina a Muhammad os rudimentos da leitura, que mudará para sempre a sua vida. Uma novela autobiográfica que consagrou o autor – que aprendeu a ler e a escrever aos 21 anos –, e cuja adaptação inglesa de Paul Bowles teve o título For Bread Alone.

 

28 de Junho

FERRO EM BRASA | Filipe Homem Fonseca e Miguel Martins

Sinopse gentilmente cedida a desoras pelos autores, para descrever esta novela ou coisa que o valha:

«Ferro em Brasa é um linguadão dos antigos, pré-Covid, nas beiças de Alfred Jarry. É uma flauta de negaça. É tudo o que Homero e Camões teriam escrito se tivessem menos génio e uma Famel. É Giotto + Pollock + digitintas. É um bico-de-obra, essa é que é essa. É um PPR no BPN. É um filho da Pia Zadora com o Kareem Abdul-Jabbar. Urdido com candura rupestre por dedos de panarícios maculados, poder-se-á dizer que narra a Quase-Odisseia de um homem fumador de barras de dinamite, a relação incestuosa que manteve com a onda de Hokusai, e o seu papel químico no trágico destino de mil Sósias-Simétricos em letra de corpo oito. Poder-se-á também dizer o avesso de tudo isto, sem que daí venha outro mal ao mundo para além de azulejos rachados, ardósias garatujadas a giz com nomes de animais-comida e respectivo preço, o estudo dos chimpanzés da Tanzânia por Nishida e Hosaka, as montras de bolos e roupas e electrodomésticos, o cumprimento de horários, os atrasos, uma telefonia desligada, a frescura de um crime ocasional, algarismos entre chavetas, feridas saradas, despedidas voluntárias e guardanapos manchados.»

Filipe Homem Fonseca, lisboeta da colheita de 1974, autor de romances, contos, poemas, filmes, documentários, séries de televisão e peças de teatro. Miguel Martins (Lisboa, 1969), trinta livros publicados. 

 

 

NÃO-FICÇÃO

 

18 de Janeiro

COMENTÁRIOS SOBRE A SOCIEDADE DO ESPECTÁCULO seguido de PREFÁCIO À QUARTA EDIÇÃO ITALIANA DA SOCIEDADE DO ESPECTÁCULO | Guy Debord

tradução Júlio Henriques

Este clássico do situacionismo, companheiro inseparável d’A Sociedade do Espectáculo, é uma das mais pertinentes e visionárias reflexões sobre a sociedade ocidental dominada pelos media, pela tecnologia e pelas imagens. Publicados em 1988, vinte e um anos depois d’A Sociedade do Espectáculo, os Comentários actualizam vários aspectos desta obra e seguem o fio da meada da retorcida lógica da sociedade espectacular que cada vez mais conduz à irracionalidade.

 

5 de Abril

A APARÊNCIA DAS COISAS – Ensaios e artigos escolhidos | John Berger

tradução José Miguel Silva

Obra que reúne alguns dos ensaios mais brilhantes e incisivos de John Berger, escritos na década de 60.  Mescla de artigos sobre crítica de arte e de textos de teor político, A Aparência das Coisas abarca reflexões sobre Walter Benjamin, Le Corbusier, Camille Corot, Che Guevara, entre outros. Destacam-se nesta colectânea, também, as reflexões sobre a Primavera de Praga e o ensaio «A Natureza das Manifestações de Massas», formando o conjunto uma das melhores introduções à escrita ensaística de John Berger.

 

10 de Maio

O APOIO MÚTUO – UM FACTOR DA EVOLUÇÃO | Piotr Kropotkine

tradução Miguel Serras Pereira | posfácio Stephen Jay Gould

Obra marcante do célebre anarquista russo, O Apoio Mútuo (1891) é um dos primeiros estudos sistemáticos de inteiras comunidades humanas e animais. Respondendo aos defensores do darwinismo social – para quem o progresso resulta da feroz competição entre indivíduos e da sobrevivência dos mais aptos –, Kropotkine propõe que a cooperação é o verdadeiro factor da evolução. Ao mostrar que as pessoas tendem espontaneamente para a ajuda mútua, e que é o Estado, com a sua ânsia de regular colectividades e defender privilégios privados, que corrompe esta inclinação natural, Kropotkine constrói a defesa do anarquismo e apresenta uma base científica para a organização da vida em sociedade. Texto essencial para compreender os fundamentos anarquistas, O Apoio Mútuo não só conserva a sua actualidade, como encerra a clarividência e o optimismo de que precisamos nos nossos dias.

 

23 de Maio

LAOCOONTE | G. E. Lessing

tradução, posfácio e notas José Miranda Justo

Laocoonte ou sobre as Fronteiras da Pintura e Poesia (1766) é um texto essencial da teoria estética e um clássico sobre a natureza da pintura e da poesia, os seus limites, esferas e especificidades. Contestando o
ut pictura poesis e visando a libertação das artes desta premissa, o seu impacto manteve-se até aos nossos dias, tendo sido recuperada nomeadamente por Eisenstein e Greenberg.

 

REEDIÇÕES EM DESTAQUE

 

A SOCIEDADE DO ESPECTÁCULO | Guy Debord

nova edição | 144 pp | 14 € | Janeiro

PORQUE ESCREVO E OUTROS ENSAIOS | George Orwell

2.ª ed. | Fevereiro

SOLARIS | Stanislaw Lem

2.ª ed. | Fevereiro

O LIVRO DOS ABRAÇOS | Eduardo Galeano

2.ª ed. | Fevereiro

O CAMINHO PARA WIGAN PIER | George Orwell

2.ª ed. | Março

CONTOS REUNIDOS | Aldous Huxley

2.ª ed. | Março

A FOGUEIRA E OUTROS CONTOS | Jack London

2.ª ed. | Maio

A FILOSOFIA NA ALCOVA | Marquês de Sade

3.ª ed. | Junho


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