A Serpente

Stig Dagerman

  • €7.50

O medo é uma doença que transportamos em nós, em estado latente, e que percorre os filamentos da nossa consciência, estimulando-os, até que eles aqueçam ao rubro. Nessa altura compreendemos também que não há por onde escolher: aquilo que pensávamos ser a ausência de medo revela afinal não ser mais do que tentativa espasmódica de o excluir da nossa existência.

A Serpente constitui uma reacção às imensas ruínas humanas solidificadas pela Segunda Guerra Mundial, numa visualização clarividente da angústia social. O terreno onde decorre o essencial de toda a acção d’A Serpente é o de uma caserna militar onde a disciplina se apresenta como o campo ideal do isolamento individual, pedagogia da submissão ao absurdo. A capacidade efabulatória do autor é extraordinária, traduzindo-se por uma riqueza imagética de grande precisão. O medo, fio condutor das sete novelas desta colectânea, é aqui cruelmente exposto, adoptando a narração vários estilos de temática sombria: uma exposição de variadas expressões do medo sempre a partir da sua raiz social ou gregária. Mas a capacidade analítica de Dagerman é de tal modo sincera, verídica, que a exposição dramática não cai nunca no patético; tudo é tragicamente verosímil.

Stig Dagerman publicou este seu primeiro livro aos 22 anos. Acabará por suicidar-se a 4 de Novembro de 1954 na sua garagem. «Um acidente do trabalho do autor consigo próprio», escreve Olof Lagercrantz, seu biógrafo. Do mesmo autor nesta editora: O Vestido Vermelho (1989), A Ilha dos Condenados(1990), Outono Alemão (1991), Jogos da Noite (1992).

  • Título original Ormen
  • Tradução do sueco Ana Dinis
  • 1.ª edição 2000
  • Páginas 336
  • ISBN 972-608-117-3