Lady Sings the Blues

Billie Holiday

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Um dia decidi simplesmente que nunca faria nem diria senão o que me apetecesse. Nem «se faz favor, cavalheiro». Nem «obrigada, minha senhora». Nada. A não ser que o quisesse mesmo dizer. É necessário ser-se pobre e preto para saber o que custa tomar essa atitude. 
Billie teve mais que uma voz. Como todos nós. Os do jazz, os da música, preferem-lhe a mais antiga, a menos suja, onde a originalidade e o cantar solto estão presentes, embora já amargurados. Veio-lhe depois a voz da vida ainda mais dura com a qual entoava, pouco cantava. É a sua fase mais popular. E quem é que sabe porque é que as pessoas gostam mais de recitações sofridas, de trauteadas recusas ao mundo dominante, à maneira de viver que elas praticam e ela recusava, autêntica, como só os intemporais sabem, afundando-se dolorosamente?
  • tradução Frances Jude Rosário Duarte
  • 1.ª edição 1992
  • páginas 244
  • isbn 972-608-066-5