Cristina Peri Rossi
Nunca aceitei normas sociais baseadas em preconceitos ou ordens que me parecessem injustas, viessem de quem fosse: do meu pai, da Igreja ou do governo. Decidi ser fiel a mim mesma.
No Outono de 1972, um transatlântico partia de Montevideu. A bordo, Cristina Peri Rossi (n. 1941), escritora proscrita pela ditadura militar, fugia da repressão do regime e exilava-se em Barcelona, onde reside desde então. A sua obra — entre a poesia (Estrategias del deseo, 2004), o romance (La nave de los locos, 1984), o conto (Los museos abandonados, 1969) e o ensaio —, movida por uma indómita rebeldia e ânsia de liberdade, centra-se no exílio, na transgressão, no desejo como impulso vital contra a morte e a destruição. Contemporânea do boom latino-americano dos anos 60 e 70, uniu-a a Julio Cortázar uma profunda cumplicidade literária, um fascínio mútuo que inspiraria ao escritor «Poemas para Cris». Tradutora de Clarice Lispector e Monique Wittig, foi-lhe atribuído o Prémio Ibero-Americano de Letras José Donoso em 2019 e, em 2021, o Prémio Cervantes.