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Estive no quartel e aí aprendi a odiar. Estive no presídio e aí, coisa esquisita, aprendi a amar, a amar intensamente.

Amazónia... Evocar tal nome remete de supetão para o estado do mundo que frontalmente se expõe no mundo do Estado. Díspares infernos congregados: a história como puro pesadelo, «revoluções industriais», a nova corrida ao ouro e a outras misérias fabulosas, os íngremes êxodos urbano e rural sempre em processo, a prostituição como trilho do Avanço, a técnica da matança na conquista dos espaços vitais, a economia mundial da droga, a droga da economia mundial, e sempre, sempre, a tensão duma guerra ininterrupta – num leque de manifestações humanas do terror integrado.

José Amaro Dionísio não contemporiza com a convenção bem-comportada que faz da Amazónia terreno propício à mistificação jornalística, estribada no exotismo. O seu relato não é apenas brutal; é autogovernado por uma visão do estilhaço e da inteireza em pleno caos.

  • 1.ª edição 1993
  • páginas 156
  • isbn 972-608-072-X