Jorge Valadas / Charles Reeve
Não sou dos que têm uma carreira, mas dos que têm uma vida.
EDGAR MORIN
Autor conhecido no meio libertário francês contemporâneo, Jorge Valadas (Lisboa, n. 1945) entrou com dezoito anos na Escola Naval para logo descobrir que tinha batido à porta errada. Desertor em 1967, viveu nos Estados Unidos e em França, onde ainda reside. Foi electricista em Paris — ofício manual que não lhe comprometia a independência crítica — e integrou o núcleo dos Cadernos de Circunstância (1969-71). Colaborou no jornal Combate nos anos 70 e escreve actualmente no Mapa e na revista Flauta de Luz. Destacam-se na sua obra O Tigre de Papel (1972), sobre o capitalismo de Estado na China, e A Memória e o Fogo (2006), inquietas reflexões de veia libertária. Sob o pseudónimo Charles Reeve — homenagem a um emigrante escocês e sindicalista-revolucionário condenado em 1916, em Sydney, a dez anos de degredo por sabotar o «esforço de guerra» —, escreveu O Socialismo Selvagem (Antígona, 2019), ensaio documental que revisita séculos de contestação social.

