Stig Dagerman

Uma inquietação visceral assombrou a vida de Stig Dagerman (1923-1954), saudado precocemente como um «Rimbaud do Norte», um «Camus sueco» e um jovem prodígio das letras nórdicas. Esta insidiosa angústia assolava-o desde a sua Älvkarleby natal, onde a mãe o abandonara em tenra idade, acompanhou-o nos meios anarquistas de Estocolmo e culminaria no seu suicídio aos 31 anos. Autor de culto, escreveu em quatro anos toda a sua obra, na qual se destacam A Serpente (1945), A Ilha dos Condenados (1946), Outono Alemão (1947) e Jogos da Noite (1947). Legou-nos um exemplo de lucidez e resistência à mentira, como alicerce e esteio da acção humana, e algumas das mais belas páginas sobre a falsidade das relações e a angústia e a ira que as dominam.

    Nascido em 1923, em Alvkarleby, na Suécia, Stig Dagerman desejou, desde a adolescência, querer a eternidade do que se quer. É no confronto com esta impossibilidade consubstancial do desejo que se irá desenvolver toda a obra de Dagerman, tornando o seu frente a frente com a morte – psíquica e física – ponto de partida de uma ligação apaixonada e inquieta, empenhada e crítica, íntima e partilhada, com a história contemporânea.

    Stig escreve romances, contos, peças de teatro, reportagens, viaja e recolhe dados sobre os modos de vida e problemas de comunidades, países ou grupos humanos em crise; dilacera-se na tensão entre as exigências ou impulsos imediatos e a necessidade de permanência que o habita.

    A actualidade do autor revela-se ao longo de toda a sua obra na resistência à mentira, como alicerce e esteio da acção humana, tornando assim os seus textos quase intemporais. A obra literária estará mais próxima do sofrimento que causa o reflexo do fogo ou daquele que provém do próprio fogo? – interroga aos 23 anos.