Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitroglicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias.
António Maria Lisboa
Publicada em 1965, a ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA é um repositório da melhor tradição licenciosa — tantas vezes sonegada ou vilipendiada — na literatura nacional, destrinçando nesta uma luminosa e desbragada alegria de viver que faz murchar a posteridade. Aliando à mais jocosa crítica de costumes a vasta erudição de Natália Correia, e estendendo-se dos cancioneiros medievais a poemas dos anos 60, reúne nomes célebres e inesperados, como Camilo, Antero ou Pessoa, bem como poetas ignotos, surpreendentes pela ousadia e fértil arte literária que revelam.
A primeira edição deste livro não escapou no Estado Novo à «sádica nostalgia das fogueiras do Santo Ofício», segundo as palavras de David Mourão-Ferreira, tendo sido apreendida pela PIDE, nem a um processo judicial tristemente célebre que envolveu a própria Natália Correia, vários autores e o editor Fernando Ribeiro de Mello, um momento crucial na luta pela liberdade de criar e editar em ditadura.
Depois de várias edições em parceria com a Frenesi, a Antígona dedica o esforço posto neste livro aos leitores que fazem do erotismo prática viva e satirizam os costumes e a ordem.
Capa dupla, à escolha do freguês.
- SELECÇÃO, PREFÁCIO E NOTAS Natália Correia
- CAPA E CONCEPÇÃO GRÁFICA Rui Silva
- 6.ª EDIÇÃO Setembro 2026 [1.ª ed. Antígona / frenesi 1999]
- PÁGINAS 492
- FORMATO 13,5 x 21 cm
- ISBN 978-972-608-500-3
imprensa
*O preço final inclui 10% de desconto da editora (válido até 31/12/2026)
NÃO APLICÁVEL NOUTRAS CAMPANHAS EM CURSO
