O nosso problema fundamental é a destruição do mundo, causada por uma contradição irreconciliável entre o mundo natural e o mundo projectado pelo industrialismo.
WENDELL BERRY
Com a sempre diabólica intervenção de grandes ilustradores flautistas (André Lemos, Bruno Borges, Gonçalo Mota, José Feitor, José Miguel Gervásio, Mariya Nesvyetaylo, Miguel Carneiro, Odair Monteiro, Ruca Bourbon) e do humor satírico da secção «Falta de Luz», o sumário deste número (que inclui um caderno a cores de pintura & desenho e outro dedicado à acção de Eugenio Castro, do Grupo Surrealista de Madrid) percorre temas cuja diversidade se revela centrípeta.
Porque o que temos pela frente, contra a vida na Terra e contra a emancipação da vida, é um sistema unificado de dominação com ingredientes totalitários. Sistema que nos nossos dias, graças ao seu incessante desenvolvimento técnico, passou a poder utilizar como armamento próprio a fomentada alienação das maiorias. Estão nisto presentes o expansionismo da guerra (num mundo que aboliu o direito internacional) como extensão inevitável do belicismo económico, e, por outro lado, a guerra social que tais coisas desencadeiam em cada país.
Destacam-se assim grandes interrogações sobre o significado da democracia, sobre o teor da guerra, de Jorge Leandro Rosa e Joëlle Ghazarian a Robert Kurz, passando por Günther Anders e Howard Zinn. A expansão do turismo na hipermodernidade (Pedro Duarte), o obsceno fascínio da Internet (Phil Mailer) e a IA como último avatar da técnica (Patrick Chastenet).
Para uma identificação das condições vigentes no Desenvolvimento, de tendências suicidas, contribuições de Franco Berardi (Introdução ao século XXI), Pedro Levi Bismarck (num ensaio sobre Primo Levi e Israel), Corsino Vela, Charles Reeve, Erick Corrêa, Pádua Fernandes, Antonio Pérez, Tiago Mesquita Carvalho (sobre a transformação tecnológica das festas e romarias), António Ferreira (sobre a máquina de vender o mundo a retalho).
No vasto âmbito do que está para além de tudo isto, contribuições de Júlio do Carmo Gomes (Kopenawa em Berlim), El Capitán (ex-subcomandante Marcos), Marta Durán de Huerta sobre a longa experiência zapatista, Aby Sène-Harper sobre conservacionismo e expansão imperialista em África, Ivan Illich (Declaração sobre o solo), Wendell Berry (O futuro da agricultura), Miquel Amorós (Agricultura industrial e energia pseudorenovável), Aurélien Berlan (A subsistência contra o supermercado industrial), Joëlle Ghazarian (Subsistência e feminismo).
Nas Notas de Leitura & Outras, destaque, ainda, para o centenário de Ivan Illich (1926-2002). E na arte literária, poemas e ficção de procedência árabe, brasileira, espanhola, italiana, portuguesa, sul- e norte-americana.
- EDITOR E COORDENADOR Júlio Henriques
- DESIGN GRÁFICO Gonçalo Mota
- CAPA Miguel Carneiro
- EDIÇÃO 2026
- PÁGINAS 360
- FORMATO 19 x 24 cm
- ISSN 2183-9948
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*O preço final inclui 10% de desconto da editora (válido até 31/12/2026)
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