Ingeborg Bachmann e Paul Celan

Viena, Primavera de 1948. Na cidade ocupada pelos Aliados, cruzam-se os destinos de duas das estrelas mais brilhantes no firmamento da poesia de língua alemã, inaugurando um diálogo íntimo e literário que se estenderia por duas décadas: Paul Celan (1920-1970), sobrevivente do Holocausto e poeta já consagrado, e Ingeborg Bachmann (1926-1973), estudante de Filosofia, em choque com o pai, partidário do nacional-socialismo, e que já sonhava com uma linguagem que cruzasse fronteiras. O futuro reservar-lhes-ia glórias e dissabores: a ele, o dilema de escrever uma obra maior na língua dos assassinos dos seus pais, as campanhas de difamação movidas nos anos 50 por um anti-semitismo persistente, a atribuição do Prémio Büchner em 1960, o suicídio no Sena em 1970; a ela, a luta pelo reconhecimento numa sociedade dominada por homens, vários galardões literários por obras como O Tempo Aprazado (1953) e Malina (1971); aos dois, um incomensurável esforço para encontrarem «as palavras certas», como poetas, amigos e amantes.




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