Lewis Mumford

Lúcido humanista e luminoso dissidente na marcha por vezes escura do progresso, Lewis Mumford (1895-1990) foi filósofo, historiador das técnicas e da cultura, sociólogo e analista do urbanismo contemporâneo. A sua obra multifacetada abrange mais de seis décadas, e a sua vida repartiu-se pelo estudo do pensamento utopista (História das Utopias, 1922), da evolução paranóica da sociedade industrial (The Myth of the Machine, 1967-70), das etapas essenciais da transformação humana (In the Name of Sanity, 1954, e The Transformations of Man, 1956) e das cidades (The Culture of Cities, 1938, e The City in History, 1961). Entre os anos 30 e 60, colaborou, como crítico e publicista, com a New Republic e a New Yorker, e leccionou na Universidade de Stanford, afirmando-se como teorizador generalista num meio em que dominavam já as especializações académicas. Autor comprometido e visionário num tempo em que a civilização perdera o rumo, defendia uma renovação do Homem, em nome do vital e do genuíno, e o recentramento do ser deslumbrado pela evolução tecnológica.