A Universidade de Rebibbia | Recensão | Ípsilon | ★★★★

Sapienza descreve as mulheres que a rodeiam sem condescendência nem exotismo. Não há aqui vontade de representar as margens nem de transformar a prisão numa alegoria social óbvia. O que há é uma atenção paciente às formas como cada prisioneira tenta preservar uma identidade num espaço que tende a anulá-la. A escrita acompanha esse movimento. A prosa é contida, quase seca, com o efeito literário a nascer do rigor da observação e não da retórica. Sapienza recusa o dramatismo e evita a introspecção excessiva. Interessa-lhe o que se passa entre as pessoas, nas fendas da convivência forçada, nos silêncios, nas pequenas negociações diárias. (...) Lido hoje, este livro adquire uma ressonância particular. Num tempo em que a experiência é frequentemente transformada em espectáculo ou confissão, Sapienza propõe o contrário, e o seu olhar é ético na medida em que não se verga à simplificação. É uma literatura assente na atenção ao real. (...) Num espaço de privação, o livro escolhe olhar a complexidade humana, reconhece a fragilidade comum e vê nisso uma possibilidade de conhecimento. 

Na passada sexta-feira, o Ípsilon destacou A Universidade de Rebibbia, de Goliarda Sapienza, com uma recensão de Isabel Lucas.

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