Capitalismo Canibal | Entrevista a Nancy Fraser | Electra Magazine

«Há uma clara sensação na sociedade em geral de que chegámos a um impasse. Evidentemente, é preciso que surjam projectos mais radicais e fora-da-caixa, politicamente falando. [...] Os movimentos sociais estão famintos de formas de pensar mais amplas e integradoras. Estamos a viver mais um momento com muita coisa interessante a acontecer do lado activista, e em que está a realizar-se um trabalho intelectual fascinante do lado teórico.


[...] A ideia de uma visão alargada do capitalismo foi o tema principal do livro Capitalismo Canibal. Para perceber o que torna possível a exploração de pessoas, a extracção da mais-valia e a acumulação do capital, temos de olhar para além da fábrica. [...] As donas de casa pertencem à classe trabalhadora, tal como as vítimas de tráfico humano ou quem trabalha em sweatshops. [...] Precisaremos de uma visão alargada do socialismo para lidar com todos os danos, todas as injustiças e todas as destruições resultantes do capitalismo. O socialismo não pode ser só uma reorganização do sistema de produção no sentido mais estrito do dinheiro, ou do que normalmente entendemos por produção. Teria de mudar a relação entre produção e reprodução, fábrica e família, mercado e Estado, sociedade e natureza. Deste ponto de vista, todos os socialismos existentes até ao momento parecem demasiado limitados. Aliás, em muitos locais, os socialismos foram desastrosos para o ambiente. Também não emanciparam as mulheres — ou fizeram-no só em parte. E certamente que não foram democráticos. Afinal de contas, o socialismo é um projecto muito maior e mais difícil do que alguma vez imaginámos.» — NANCY FRASER

No novo número da Electra, Afonso Dias Ramos entrevista Nancy Fraser, autora de Capitalismo Canibal, sobre «alguns dos principais problemas políticos e sociais que temos pela frente numa época de radicalismo, instabilidade e populismo».

Revista disponível nos pontos de venda habituais, de norte a sul.


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