O que vamos publicar em 2026?

AUTORAS EM DESTAQUE

CRISTINA PERI ROSSI

Prémio Cervantes 2021  Prémio Ibero-americano de Letras José Donoso 2019

Escritora, activista e tradutora, Cristina Peri Rossi (n. 1941, Montevideu) é uma das mais proeminentes autoras latino-americanas. Foi censurada no Uruguai durante a ditadura militar e exilou-se em 1972 em Barcelona, onde reside. Unida a Julio Cortázar por uma profunda amizade e cumplicidade literária, conta com uma vasta obra que se reparte entre a poesia (Estrategias del deseo, 2004), o romance (La nave de los locos, 1984), o ensaio e o conto, norteada por questões como a identidade, o exílio e o desejo, assente numa indómita rebeldia e ânsia de liberdade. Está traduzida em mais de vinte línguas.

A INSUBMISSA

tradução Guilherme Pires • autobiografia ficcional • 22 Junho

Nunca aceitei normas sociais baseadas em preconceitos ou ordens que me parecessem injustas, viessem de quem fosse: do meu pai, da Igreja ou do governo. Decidi ser fiel a mim mesma.

A Insubmissa (2020), romance autobiográfico sobre a infância e a juventude de Cristina Peri Rossi, desenha literariamente uma personalidade determinada e um percurso de vida sem cedências. Fundindo flashes da história de um país e de uma geração, é uma galeria de momentos que definem uma vida e uma vocação: a oposição à violência do pai, o despertar do gosto pela leitura e pela escrita, a consciência do estigma associado à mulher artista e à homossexualidade.

 

O MUSEU DOS ESFORÇOS INÚTEIS

tradução Guilherme Pires • contos • 6 Julho

Livro fundamental na narrativa breve de Cristina Peri Rossi, O Museu dos Esforços Inúteis (1983) reúne trinta contos que apontam a mira ao zeitgeist contemporâneo e revelam os absurdos do quotidiano: «O corredor tropeça», sobre um promissor atleta que falha no momento decisivo, «Instruções para sair da cama» – as infindas cogitações de uma mulher sobre este acto aparentemente tão simples – e a história de um peculiar museu que cataloga todos os esforços inglórios da humanidade.

 

CRISTINA RIVERA GARZA

Prémio Sor Juana Inés de la Cruz Prémio Anna Seghers 2005 Prémio Pulitzer 2024

Cristina Rivera Garza é uma escritora explosiva. Uma hábil criadora de atmosferas, com um estilo poderoso, uma linguagem evocativa e indomável. Lina Meruane

Cristina Rivera Garza (n. 1964), uma das escritoras mexicanas mais destacadas e premiadas da sua geração, nasceu em Matamoros, na fronteira com os Estados Unidos. Lecciona na Universidade de Houston e fundou um dos primeiros programas de doutoramento em escrita criativa em espanhol no país. Voz incisiva, reflecte na sua obra sobre questões de migração, fronteiras e violência contra as mulheres, memória e desigualdade. Fez da linguagem e da literatura ferramentas que conferem visibilidade a histórias marginalizadas e silenciadas. É autora de Ninguém me Verá Chorar (1999), Autobiografía del algodón (2020) e O Invencível Verão de Liliana (2021), entre vários outros livros aclamados.

NINGUÉM ME VERÁ CHORAR

Romance • 24 Agosto

Prémio Sor Juana Inés de la Cruz 2001

México, anos 20. Nas sombras da revolução, jazem os arquivos dos silenciados e dos loucos. Cristina Rivera Garza mergulhou neles para nos levar neste romance aos corredores do manicómio La Castañeda, onde se cruzam os olhares de Modesta Burgos, louca, e de Joaquín Buitrago, fotógrafo do hospício. Quando este tem acesso ao processo de Modesta, desvenda uma vida de liberdade travada por um diagnóstico de loucura, à semelhança de tantas mulheres invisibilizadas na História. Ninguém me Verá Chorar (1999) foi aclamado pela crítica como uma obra-prima da literatura mexicana.

O INVENCÍVEL VERÃO DE LILIANA

Memórias/Relato autobiográfico • 7 Setembro

Prémio Pulitzer de Não-Ficção 2024 Finalista do National Book Award Prémio Inrockuptibles 2024

A arqueologia de um feminicídio. L’Humanité

Um livro importante que é, ao mesmo tempo, um relato sobre o luto, um policial, um ensaio feminista e uma reflexão sobre a escrita. Les Inrockuptibles

Cristina Rivera Garza escreveu algo quase milagroso: [...] uma tentativa de recuperar a vida de Liliana, a sua chama, a sua juventude, apagadas com tanta crueldade. Este livro é uma revelação. Mariana Enriquez

Em Julho de 1990, uma jovem é assassinada no México pelo ex-namorado em fuga, nunca condenado. Trinta anos depois, Cristina Rivera Garza regressa ao país para reabrir o caso arquivado de Liliana, a sua irmã mais nova, e reúne a coragem para, a partir dos textos, cartas e notas deixadas por ela – um «arquivo meticuloso» em caixas de cartão –, compreender um crime e, sobretudo, reconstruir uma vida. O Invencível Verão de Liliana (2021) é simultaneamente um livro íntimo de memórias com uma imensa força literária, uma obra de luto e revolta, uma denúncia do feminicídio e da impunidade.

 

FRANCESCA ALBANESE

Francesca Albanese (n. 1977) é jurista, activista e relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinianos ocupados. Especialista em direito internacional e figura central na denúncia das violações dos direitos humanos na Palestina, foi nomeada para o Prémio Nobel da Paz e está neste momento impedida de entrar nos EUA, onde é alvo de sanções. É autora de Palestinian Refugees in International Law (2020) e de J'accuse (2023).


QUANDO O MUNDO DORME
Histórias, palavras e feridas da Palestina

tradução Pedro Morais prefácio Shahd Wadi • ensaio • 23 Fevereiro

É quando o mundo dorme que nascem os monstros. Entre nós já temos monstros que bastem. Acima de tudo, a nossa indiferença.

Quando o Mundo Dorme (2024) dá-nos a conhecer histórias de dignidade e resistência na Palestina que marcaram Francesca Albanese e que nos ajudam a compreender o espírito de um território e de um povo oprimido: as vidas de Ghassan Abu-Sittah, um cirurgião horrorizado pelo que presenciou, Malak Mattar, uma artista exilada mas movida por uma esperança inspiradora, Hind Rajab, uma criança de seis anos morta em Gaza enquanto aguardava por socorro, Alon Confino, um pensador judeu devastado pelo apartheid vigente, entre outros testemunhos. Histórias que, unidas pela recusa do horror, alumiam reflexões mais amplas sobre colonialismo, traumas e genocídios, e que nos revelam a humanidade, a coragem e a beleza de um povo que resiste.


FICÇÃO EM DESTAQUE

UM HOMEM QUE DORME

Georges Perec tradução Luís Leitão • novela • 19 Janeiro • 112 pp

Um despertador toca numas águas-furtadas de Paris; um jovem permanece deitado, indiferente à cidade que acorda e ao exame que o esperava nesse dia. Um Homem que Dorme (1967) narra o quotidiano de uma criatura que decide, convictamente, não mexer uma palha, cruzar os braços perante a vida, ser alheio ao «banho de obrigações sem fim, ao melífluo terror que pretende controlar todos os dias, todas as horas, da diminuta existência». Parente de Bartleby e de Oblomov, acompanhamo-lo a vaguear entre a multidão nas grandes avenidas e nos cinemas, em busca de um ansiado apagamento.

 

AUTOBIOGRAFIA DE UM POLVO E OUTROS RELATOS DE ANTECIPAÇÃO

Vinciane Despret  tradução Pedro Elói Duarte • prefácio Diana V. Almeida • ficção • 2 Fevereiro

Num mundo futuro, a linguagem, a escrita e a arte não são exclusivas da humanidade. Vários relatos de uma comunidade científica imaginária revelam-nos a poesia das aranhas e das suas teias, a arquitectura entre os vombates e os aforismos efémeros de um polvo. Sob a égide de Ursula K. Le Guin, os três contos especulativos de Autobiografia de Um Polvo (2022) esbatem fronteiras entre ciência e ficção, questionando a nossa ilusória soberania no planeta.

Vinciane Despret (n. 1959), filósofa e psicóloga, lecciona Filosofia da Ciência nas universidades de Liège e Bruxelas e é uma das vozes mais proeminentes da etologia e do debate sobre as capacidades cognitivas e afectivas dos animais. Em território comum a Bruno Latour, Isabelle Stengers e Donna Haraway, cruzando biologia e filosofia, incita-nos a repensar a relação com o mundo natural e as espécies. Em 2007, foi comissária da exposição Bêtes et Hommes na Cité des sciences et de l’industrie em Paris, e, em 2021, o Centre Pompidou homenageou-a como intelectual do ano. É autora de Habiter en oiseau (2019) e Penser comme un rat (2009).

 

MATAMOS STELLA E OUTROS CONTOS

Marlen Haushofer • selecção, prefácio e tradução Gilda Lopes Encarnação9 Março

Depois de A Parede, a Antígona publica em 2026 os melhores contos de Marlen Haushofer, contemplando os seus temas obsidiantes: a prisão social, familiar ou conjugal. Entre as doze ficções reunidas, destaca-se a novela «Matamos Stella» (1958), a crónica de uma tragédia anunciada no seio de uma família, uma história sobre indiferença e passividade fatais numa sociedade conservadora e hipócrita.

 

O PASSEIO

Robert Walser  tradução Bruno C. Duarte • prefácio Gonçalo M. Tavares ilustrações Pierre Pratt narrativas • 6 Abril

Na longa tradição de filósofos e escritores caminhantes – de Nietzsche a Sebald, passando por Thoreau e Woolf –, para Robert Walser escrever e caminhar eram tão vitais como o ar que respirava. Obra-prima da narrativa breve do autor, O Passeio (1917) é um elogio da deriva, nos antípodas de pragmáticas deslocações em linha recta entre pontos num mapa. Ao sabor do acaso e da surpresa, Robert Walser deambula na cidade e no campo, num sinuoso percurso que lhe inspira reflexões sobre a beleza da natureza e o absurdo de convenções.

 

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA

Dario Fo  tradução Miguel Serras Pereira teatro • 18 Maio

2026 CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE DARIO FO

A sátira é a arma mais eficaz contra o poder: o poder não suporta o humor porque o riso liberta o homem dos seus medos.

Se convenientes quedas de janelas resolvem hoje vários problemas no mundo – entre os quais, a contestação ao poder –, já Dario Fo em 1970 se debruçava sobre a questão. Estreada em 1970, numa Itália a ferro e fogo, Morte Acidental de Um Anarquista (1974) inspira-se numa história verídica: o «suicídio» de Giuseppe Pinelli, suspeito de atentado à bomba e interrogado pela polícia, vítima também da pouca integridade estrutural de uma janela do quarto andar de uma esquadra em Milão. Uma perspicaz farsa, zombeteira e rebelde, sobre manipulação e falsidade, corrupção e materiais de construção.

Escritor e dramaturgo, Dario Fo (1926-2016) estudou Belas-Artes em Milão e, nos anos 50, escreveu as primeiras peças e obras radiofónicas. Movido pelo espírito de um teatro genuinamente popular e de crítica política e social, recuperando a commedia dell’arte, fundou em 1956 a Companhia Fo-Rame, com Francesca Rame, sua companheira, tendo integrado posteriormente vários colectivos teatrais. Entre a extensa obra deste aclamado «bufão do proletariado», segundo a crítica, contam-se Mistero Buffo (1969) e Non si paga, non si paga! (1974). Em 1997, recebeu o Prémio Nobel da Literatura.

 

NÃO-FICÇÃO EM DESTAQUE

MARCAS DE BATOM

Uma História Secreta do Século XX

Greil Marcus • tradução Helder Moura Pereira • ensaio • 23 Fevereiro

Marcas de Batom (1989) é uma viagem alucinante e imparável que nos leva dos heréticos medievais aos dadaístas, dos situacionistas aos movimentos underground dos anos 70 e 80, em busca da rebeldia e do inconformismo que em vários tempos e lugares desafiaram o statu quo. Uma aventura que começou quando, ao ouvir pela primeira vez «Anarchy in the UK», dos Sex Pistols, Greil Marcus sentiu a urgência de descobrir de onde vinha a força e o NÃO rotundo do punk gritado ao mundo. Porque, ao longo da História, sempre se fizeram ouvir vozes subversivas e marginais, na música, na arte e nas ruas, que formaram uma corrente demasiado vital e coerente para ser travada.

Inclui uma nova introdução e bibliografia actualizada pelo autor

 

OS MERGULHADORES DO DESERTO

Sven Lindqvist  tradução do sueco Ana Diniz • ensaio • 23 Março

Um poema ao Sara e a todos aqueles para os quais foi uma obsessão. Emocionante do início ao fim. The Guardian

Depois de Uma História dos Bombardeamentos, a Antígona prossegue a publicação de obras de Sven Lindqvist. Fundindo relatos de viagem e autobiografia, Os Mergulhadores do Deserto (1991) é uma viagem do autor pelo Sara, no encalço dos escritores e viajantes que, fascinados por este território, o precederam – como Isabelle Eberhardt, André Gide ou Saint-Exupéry – e que sempre alimentaram o imaginário de Sven Lindqvist. É, também, a crónica de um fascínio que, por vezes, romantizou a exploração colonial e a sua tragédia.

 

O MEIO É A MASSAGEM

Marshall McLuhan e Quentin Fiore tradução Diana V. Almeida • ensaio • 4 Maio

O Meio é a Massagem (1967), de Marshall McLuhan, pai dos media studies e pensador visionário, é um clássico da teoria da comunicação e aborda a forma como a tecnologia molda os esquemas cognitivos e gera novos modelos de interacção social e política. Combinando palavra e imagem – experiências gráficas, citações e colagens –, é uma síntese estimulante das ideias de Marshall McLuhan, que assumiu o erro tipográfico no título idealizado – «o meio é a mensagem» – por realçar a capacidade de manipulação sensorial dos media.

 

DANÇAR NAS RUAS

Uma História da Alegria Colectiva

Barbara Ehrenreich • tradução José Miguel Silva • ensaio • 21 Setembro

Desde que o mundo é mundo, a humanidade dançou em festividades e momentos de êxtase colectivo: da Roma Antiga, banquetes e bailes na Europa Medieval, a festejos de Carnaval e raves, ou, com menos júbilo e espontaneidade, a campanhas eleitorais em que candidatos tentam arrastar idosos para um pezinho de dança. Recorrendo a fontes históricas, Dançar nas Ruas (2006) é a história dos percalços e da persistência destas manifestações de alegria comunal, que, minadas por hierarquias e elites ou convertidas em lazer passivo, inspiraram ideias de revolução e irmandade.

Barbara Ehrenreich (1941-2022), jornalista, socióloga e activista, denunciou injustiças sociais nos EUA, o «complexo médico-industrial» e a precariedade do sistema de saúde no país, bem como a vulnerabilidade de uma vasta camada da população norte-americana. Foi professora universitária, recebeu em 2018 o Prémio Erasmus e publicou ensaios e artigos no New York Times e no Washington Post. Nickel and Dimed: On (Not) Getting By in America (2001), que inspiraria um movimento social por salários dignos, destaca-se entre a sua vasta obra.

 

REEDIÇÕES EM DESTAQUE

A VIOLÊNCIA E O ESCÁRNIO

Albert Cossery  tradução Júlio Henriques • romance • 19 Janeiro

Numa grande cidade dirigida por um governador despótico e burlesco, um grupo de amigos, amantes do riso e outros prazeres da vida, inventa uma nova forma de combate político: a farsa-que-não-parece-farsa. E, desenvolvendo uma actividade que profundamente os diverte, põem fora do poleiro o detestado líder. Irónica reflexão sobre o poder, A Violência e o Escárnio (1964) são aqui duas faces discrepantes da oposição a sistemas políticos vigentes: a atitude heróica, em que o militante, levando a sério os políticos de Estado, se sacrifica pela causa, e o absoluto desprezo pelas instituições estatais e pelos seus dirigentes, títeres de um mundo grotesco e aviltante. Este romance exprime a paradoxal e salutar perspectiva de Albert Cossery, que às nevróticas gesticulações dos homens opõe o desprendimento e a contemplação – sempre assentes na rejeição do sacrifício.


ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA

selecção, prefácio e notas Natália Correia20 Abril

Reunindo autores que vão de Martim Soares, do século XIII, aos nossos contemporâneos, Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (1966) inclui nomes célebres e inesperados como Antero ou Pessoa e uma plêiade de autores menos conhecidos ou mesmo completamente ignotos, cujo estro nos deixa maravilhados. Ao mesmo tempo, esta antologia é um documento mental, revelando-nos como a liberdade de expressão se foi alterando ao longo dos séculos, e não necessariamente no sentido progressivo que poderíamos conceber.

 

LADY SINGS THE BLUES

Biografia ditada a William F. Dufty

Billie Holiday  tradução Frances Jude Rosário Duarte • biografia • 1 Junho

Billie teve mais do que uma voz. Como todos nós. Os do jazz, os da Música, preferem-lhe a mais antiga, a menos suja, onde a originalidade e o cantar solto estão presentes, embora já amargurados. Veio-lhe depois a voz da vida ainda mais dura com a qual entoava, pouco cantava. É a sua fase mais popular. E quem é que sabe porque é que as pessoas gostam mais de recitações sofridas, de trauteantes recusas ao mundo dominante, à maneira de viver que elas praticam e ela recusava, autêntica, como só os intemporais sabem, afundando-se dolorosamente. Billie, filha do jazz daqueles tempos. Leiam-lhe a história, mas oiçam-lhe a Música.


Partilhar esta publicação


← -