Sei apenas duas coisas muito simples. O resto não tem importância. A primeira é que o mundo onde vivemos é regido pela mais ignóbil quadrilha de tratantes que alguma vez pisou o chão deste planeta. A segunda é esta: acima de tudo, convém não os levarmos a sério; é isso que eles querem, que os levemos a sério.
Numa grande cidade dirigida por um governador despótico e burlesco, um grupo de amigos, amantes do riso e de outros prazeres da vida, inventa uma nova forma de combate político: a farsa-que-não-parece-farsa. E, desenvolvendo uma actividade que profundamente os diverte (e neles aguça o sentido de humor), põem fora do poleiro o detestado líder. Irónica reflexão sobre o poder, A VIOLÊNCIA E O ESCÁRNIO (1964) são aqui duas faces discrepantes da oposição a sistemas políticos vigentes: a atitude heróica, em que o militante, levando a sério os políticos de Estado, se sacrifica pela causa, e o absoluto desprezo pelas instituições estatais e pelos seus dirigentes, títeres de um mundo grotesco e aviltante. Este romance exprime a paradoxal e salutar perspectiva de Albert Cossery, que às neuróticas gesticulações dos homens opõe o desprendimento e a contemplação — sempre assentes na rejeição do sacrifício.
- Título original La violence et la dérision
- Tradução Júlio Henriques
- 2.ª edição Janeiro 2026 [1.ª ED. 1999]
- Páginas 184
- ISBN 978-972-608-488-4
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